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Sao Goncalo Do Rio Abaixo, Minas Gerais
Psicóloga psicanalista, graduada pela Universidade Federal de Minas Gerais, e pós-graduanda em Políticas Públicas de Gênero e Raça-etnia, pela Universidade Federal de Ouro Preto. Atualmente, sou psicóloga clínica, em consultório particular, e psicóloga educacional da Secretaria Municipal de Educação, ambos em São Gonçalo do Rio Abaixo/MG. Contato: (31) 9232 1722 | gizelepsicologia@gmail.com. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/7412358239952349
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domingo, 24 de novembro de 2013

VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA: O MAL INVISÍVEL


Às vésperas do dia 25 de novembro, data-marco que simboliza a luta pela não-violência contra a mulher, decidi escrever brevemente sobre esse tema que tão frequentemente é tocado pelas pacientes que atendo, não só quando trabalhava no CREAS, mas também atualmente na clínica.
A violência psicológica contra a mulher é, sem dúvida, a mais comum das violências de gênero e talvez a mais difícil de ser identificada, dado o velamento que há na nossa sociedade machista, o que impede que esses sorrateiros comentários ou atos sejam percebidos como agressões, embora “firam mais do que um tapa”, como certa vez me disse uma paciente.
São muito comuns as queixas do tipo: “ele me disse que estou gorda, que não quer mulher gorda dentro de casa”, ou “ele me disse que essa roupa é de vagabunda, que eu o estou envergonhando”, ou, mais grave ainda, “ele me chama de lixão, de barril”, dentre tantos outros exemplos reais que tão bem ilustrariam esse tipo de violência.
A Lei Maria da Penha (Lei nº. 11340/06), que criou mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, definiu os tipos de violência: física, patrimonial, sexual, moral e psicológica.
O conceito de violência psicológica é bem simples e foi definido no artigo 7º da Lei Maria da Penha como “qualquer conduta que cause à mulher dano emocional e diminuição da auto-estima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação”. Em síntese, é qualquer conduta que cause dano emocional e/ou diminuição da autoestima da mulher, tais como humilhações, privação de liberdade, impedimento ao trabalho e/ou estudo, impedimento do contato com amigos e/ou familiares, ameaças à vítima ou a pessoas queridas.
 No atendimento individual, em geral, busca-se localizar com a mulher as questões intrínsecas a este relacionamento no qual a violência psicológica se encontra presente, de forma que esta se indague quanto ao motivo que a faz participar dessa relação sintomática, colocando-se em risco com isso.
Mas, há uma importante questão que subjaz à questão clínica, e que não é menos importante que essa. Trata-se da condição machista com a qual a sociedade patriarcal na qual vivemos se impõe à mulher, de forma muitas vezes tão pungente que acaba por naturalizar um comportamento que não é natural, que não faz bem, como se fosse esta a sina da mulher: “mulher tem que obedecer ao marido”, “existe mulher pra casar e mulher pra usar”, “mulher que gosta de sexo é puta”, “arruma, menina, trata logo de emagrecer e cuidar do cabelo que homem não gosta de mulher desleixada”, e assim por diante.
Nesse sentido, a mulher tem esse discurso machista e patriarcal tão incutido em sua vida que ele parece correr nas veias como sangue, tal qual nos afirmou a filósofa feminista Judith Butler. Desse modo é preciso, antes de tudo, propor uma maleabilização desse discurso, de maneira a oferecer a essa mulher condições para que ela se perceba como vítima de violência psicológica no âmbito afetivo/doméstico, para que, só a partir de então, ela possa se empoderar e ousar sair dessa condição.
Essa é, pois, a proposta para um atendimento psicológico a mulheres nessa condição: explorar os mecanismos subjetivos (inconscientes) e objetivos (sociais/culturais) que tangenciam a violência psicológica, para que depois se proponha um escape a ela.
E para as mulheres que, ao lerem este texto, se consideraram vitimas de violência psicológica doméstica em alguma medida, a sugestão é que procurem ajuda especializada, pois é muito difícil sair dessa condição sozinha. Sugiro que procurem as unidades socioassistenciais específicas: CREAS (3833 5146) e a Delegacia Civil ou Delegacia da Mulher; para orientações e/ou denúncias sigilosas, indico o Disque Mulher (180); já um atendimento clínico individual também pode se mostrar uma ação bastante eficaz, pois também pode ser uma porta de entrada para as demais ações.
Para saber mais sobre o tema, sugiro os links abaixo:
Agência Patrícia Galvão: http://www.agenciapatriciagalvao.org.br/

*Gizele Ameida (CRP MG 04|32902) é psicóloga psicanalista, graduada pela UFMG e pós graduanda pela UFOP. Atua desde 2007 no atendimento a crianças, adolescentes, adultos e idosos e, atualmente, é psicóloga educacional da Prefeitura Municipal de São Gonçalo do Rio Abaixo e psicóloga clínica, em seu consultório particular. Este e outros textos foram publicados no seu blog: gizelealmeida.blogspot.com.br e no facebook: https://www.facebook.com/consultoriodepsicologiagizelealmeida?ref=hl.

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