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Sao Goncalo Do Rio Abaixo, Minas Gerais
Psicóloga psicanalista, graduada pela Universidade Federal de Minas Gerais, e pós-graduanda em Políticas Públicas de Gênero e Raça-etnia, pela Universidade Federal de Ouro Preto. Atualmente, sou psicóloga clínica, em consultório particular, e psicóloga educacional da Secretaria Municipal de Educação, ambos em São Gonçalo do Rio Abaixo/MG. Contato: (31) 9232 1722 | gizelepsicologia@gmail.com. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/7412358239952349
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Gizele


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segunda-feira, 24 de novembro de 2014

NOVO CONSULTÓRIO!

O Consultório de Psicologia Gizele Almeida funcionará em novo endereço a partir de 24/11/14: Rua Augusto Pessoa, 313, sala 104, 2¤ andar, Centro. (Entrada pela escada ao lado da Drogaria Paula Farma, em frente à Drogazita).

domingo, 23 de março de 2014

ALIENAÇÃO PARENTAL É CRIME NÃO É À TOA!


Crianças que são utilizadas "como moeda de troca" numa relação que já não existe mais, que são usadas para ferir ou extrair dinheiro do ex-parceiro(a), que são obrigadas a não gostar do pai/mãe que não vive mais com ela (etc, etc, etc) têm seu psiquismo esfacelado por esse tipo de violência psicológica. Fiquem atentos!
Considera-se ato de alienação parental a interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente promovida ou induzida por um dos genitores, pelos avós ou pelos que tenham a criança ou adolescente sob a sua autoridade, guarda ou vigilância para que repudie genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de vínculos com este.
São formas exemplificativas de alienação parental, além dos atos assim declarados pelo juiz ou constatados por perícia, praticados diretamente ou com auxílio de terceiros:
I - realizar campanha de desqualificação da conduta do genitor no exercício da paternidade ou maternidade;
II - dificultar o exercício da autoridade parental;
III - dificultar contato de criança ou adolescente com genitor;
IV - dificultar o exercício do direito regulamentado de convivência familiar;
V - omitir deliberadamente a genitor informações pessoais relevantes sobre a criança ou adolescente, inclusive escolares, médicas e alterações de endereço;
VI - apresentar falsa denúncia contra genitor, contra familiares deste ou contra avós, para obstar ou dificultar a convivência deles com a criança ou adolescente;
VII - mudar o domicílio para local distante, sem justificativa, visando a dificultar a convivência da criança ou adolescente com o outro genitor, com familiares deste ou com avós.

sábado, 8 de março de 2014

"ISSO NÃO É DIREITO: BATER NUMA MULHER". E PONTO FINAL!*


Gizele Almeida**
Hoje, dia 8 de março de 2014, Dia Internacional da Luta Feminina, gostaria de trazer uma música do Moreira da Silva, também conhecido como Kid Morengueira, carioca que nasceu em 1902 e faleceu em 2000, com 98 anos. Escolhi essa música pela sugestão de um colega de trabalho, também psicólogo, quando num dado momento discutíamos sobre a objetalização da mulher.

Ele me cantou o seguinte trecho:

"Na subida do morro me contaram

Que você bateu na minha nega

Isso não é direito

Bater numa mulher

Que não é sua

Deixou a nega quase nua

No meio da rua

A nega quase virou presunto

Eu não gostei daquele assunto

Hoje venho resolvido

Vou lhe mandar para a cidade

De pé junto

Vou lhe tornar em um defunto".


Nesse trecho da música, Kid Morengueira brigou com o colega porque ele mexeu com uma mulher que não era "dele". Não se deve mexer nos "objetos" dos outros sem autorização, certo?

Escolhi justamente essa parte para marcar como na música fica clara a noção de objetalização da mulher. Deve-se considerar que tal composição data de outra época, mas, mesmo assim, ainda hoje há músicas, propagandas, programas de TV que apresentam, em seu discurso, a mulher dessa mesma forma e que, de modo velado, naturalizado e cotidiano, incutem na sociedade o machismo, o sexismo e a ilusão de posse sobre corpo da mulher.

Esse discurso é tão forte que parece correr nas veias como sangue, como nos apontou a filósofa feminista Judith Butler, de tal modo que perpetramos incessantemente essa lógica machista, a ponto de ela passar a ser socialmente aceita.

E assim caminhamos: cartaz de campeonato de som com mulher seminua ao lado do carro, propaganda de cerveja com mulher seminua segurando um copo, programa "humorístico" com mulheres seminuas rebolando, olhares na rua para corpos de mulheres como se eles fossem um pedaço de carne...

Dessa forma o corpo feminino vai sendo paulatinamente marcado pelo discurso, fazendo com que ele saia do campo da propriedade pessoal e intransferível da mulher e caminhe para o campo da propriedade de todos (os homens). E aí se consolida a objetalização.

A Profª. Drª. Sandra Azerêdo (UFMG) arriscava um substantivo ainda mais pungente: abjetalização. O corpo da mulher se torna abjeto, ou seja, produto perecível, usável e descartável.

E, nessa lógica machista naturalizada, é cada vez mais comum haver mulheres que mergulham de cabeça em busca desse corpo cada vez mais durável e adequado para "consumo": silicone, lipoescultura, retirada de costela, botox, reconstituição de hímen, relaxamento antifrizz, megahair, etc, etc... e etc.

Eis aí um corpo esculpido amiúde pelo discurso! Mais do que esculpido: dolorosamente talhado!

Encerro, então, com a única afirmativa plausível na música: "Isso não é direito... bater em mulher!" e ponto final, ok, Kid?! Até mesmo porque a mulher não é sua e nem de ninguém... ela é dela mesma! No mais, um grande abraço a todos/as que lutam pela causa!

*Texto informal, sem pretensão maior, mas elaborado a partir das ideias construídas no meu atual trabalho de monografia, "O corpo feminino enquanto discurso", a ser apresentado para obtenção do título de pós-graduação em Políticas Públicas de Gênero e Raça-etnia, da Universidade Federal de Ouro Preto.


**Gizele Ameida (CRP MG 04|32902) é psicóloga psicanalista, graduada pela UFMG e pós-graduanda pela UFOP. Atua desde 2007 no atendimento a crianças e adolescentes e, atualmente, é psicóloga educacional da Prefeitura Municipal de São Gonçalo do Rio Abaixo/MG. Este e outros textos foram publicados no seu blog: gizelealmeida.blogspot.com.br e na página do facebook: Consultório de Psicologia Gizele Almeida. E-mail para contato: gizelepsicologia@gmail.com. 


terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

EMPODERAMENTO E VISIBILIDADE

É interessante a frequência com que atendo a mulheres em situação de violência doméstica, muitas que nem sempre se dão conta de que estão nessa condição. Mesmo na clínica psicanalítica que, por essência de sua teoria, preza pelo singular e idiossincrático, não devemos nunca nos esquecer de que o inconsciente é tangenciado pela cultura e, nesse sentido, cabe (e muito!) uma discussão sobre esse ponto nodal que é a violência contra a mulher e como ela se engendra na formação do laço social.
Pois bem... hoje, mais uma vez, uma paciente traz a questão da violência contra a mulher e pudemos conversar um pouco sobre os dois mecanismos necessários para o enfrentamento a essa questão: empoderamento e visibilidade!
Conversamos sobre o que se trata cada uma dessas vertentes e, talvez, até produza em breve um texto sobre esses conceitos e coloque aqui, a depender da demanda, mas é preciso que mais e mais saibamos o que é violência doméstica e quais sãos as suas formas de apresentação/configuração/disfarce. E, por isso, e a partir desse desejo dessa paciente, combinei de oferecer a ela e a quem mais desejar alguns links de importantes espaços de pesquisa e luta pela não-violência contra mulher, pois o primeiro passo para combatê-la é o conhecimento.
Um abraço a todos e todas!!!
Eis aí os links!

http://www.pagu.unicamp.br/node/8
http://www.institutoavon.org.br/tag/violencia-domestica/
http://www.mariadapenha.org.br/
https://www.facebook.com/pages/Instituto-Maria-da-Penha-IMP/214848468536445
http://www.agenciapatriciagalvao.org.br/
http://levante.org.br/cartilha-sobre-violencia-contra-as-mulheres/cratilha-mulheres-levante/

domingo, 24 de novembro de 2013

VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA: O MAL INVISÍVEL


Às vésperas do dia 25 de novembro, data-marco que simboliza a luta pela não-violência contra a mulher, decidi escrever brevemente sobre esse tema que tão frequentemente é tocado pelas pacientes que atendo, não só quando trabalhava no CREAS, mas também atualmente na clínica.
A violência psicológica contra a mulher é, sem dúvida, a mais comum das violências de gênero e talvez a mais difícil de ser identificada, dado o velamento que há na nossa sociedade machista, o que impede que esses sorrateiros comentários ou atos sejam percebidos como agressões, embora “firam mais do que um tapa”, como certa vez me disse uma paciente.
São muito comuns as queixas do tipo: “ele me disse que estou gorda, que não quer mulher gorda dentro de casa”, ou “ele me disse que essa roupa é de vagabunda, que eu o estou envergonhando”, ou, mais grave ainda, “ele me chama de lixão, de barril”, dentre tantos outros exemplos reais que tão bem ilustrariam esse tipo de violência.
A Lei Maria da Penha (Lei nº. 11340/06), que criou mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, definiu os tipos de violência: física, patrimonial, sexual, moral e psicológica.
O conceito de violência psicológica é bem simples e foi definido no artigo 7º da Lei Maria da Penha como “qualquer conduta que cause à mulher dano emocional e diminuição da auto-estima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação”. Em síntese, é qualquer conduta que cause dano emocional e/ou diminuição da autoestima da mulher, tais como humilhações, privação de liberdade, impedimento ao trabalho e/ou estudo, impedimento do contato com amigos e/ou familiares, ameaças à vítima ou a pessoas queridas.
 No atendimento individual, em geral, busca-se localizar com a mulher as questões intrínsecas a este relacionamento no qual a violência psicológica se encontra presente, de forma que esta se indague quanto ao motivo que a faz participar dessa relação sintomática, colocando-se em risco com isso.
Mas, há uma importante questão que subjaz à questão clínica, e que não é menos importante que essa. Trata-se da condição machista com a qual a sociedade patriarcal na qual vivemos se impõe à mulher, de forma muitas vezes tão pungente que acaba por naturalizar um comportamento que não é natural, que não faz bem, como se fosse esta a sina da mulher: “mulher tem que obedecer ao marido”, “existe mulher pra casar e mulher pra usar”, “mulher que gosta de sexo é puta”, “arruma, menina, trata logo de emagrecer e cuidar do cabelo que homem não gosta de mulher desleixada”, e assim por diante.
Nesse sentido, a mulher tem esse discurso machista e patriarcal tão incutido em sua vida que ele parece correr nas veias como sangue, tal qual nos afirmou a filósofa feminista Judith Butler. Desse modo é preciso, antes de tudo, propor uma maleabilização desse discurso, de maneira a oferecer a essa mulher condições para que ela se perceba como vítima de violência psicológica no âmbito afetivo/doméstico, para que, só a partir de então, ela possa se empoderar e ousar sair dessa condição.
Essa é, pois, a proposta para um atendimento psicológico a mulheres nessa condição: explorar os mecanismos subjetivos (inconscientes) e objetivos (sociais/culturais) que tangenciam a violência psicológica, para que depois se proponha um escape a ela.
E para as mulheres que, ao lerem este texto, se consideraram vitimas de violência psicológica doméstica em alguma medida, a sugestão é que procurem ajuda especializada, pois é muito difícil sair dessa condição sozinha. Sugiro que procurem as unidades socioassistenciais específicas: CREAS (3833 5146) e a Delegacia Civil ou Delegacia da Mulher; para orientações e/ou denúncias sigilosas, indico o Disque Mulher (180); já um atendimento clínico individual também pode se mostrar uma ação bastante eficaz, pois também pode ser uma porta de entrada para as demais ações.
Para saber mais sobre o tema, sugiro os links abaixo:
Agência Patrícia Galvão: http://www.agenciapatriciagalvao.org.br/

*Gizele Ameida (CRP MG 04|32902) é psicóloga psicanalista, graduada pela UFMG e pós graduanda pela UFOP. Atua desde 2007 no atendimento a crianças, adolescentes, adultos e idosos e, atualmente, é psicóloga educacional da Prefeitura Municipal de São Gonçalo do Rio Abaixo e psicóloga clínica, em seu consultório particular. Este e outros textos foram publicados no seu blog: gizelealmeida.blogspot.com.br e no facebook: https://www.facebook.com/consultoriodepsicologiagizelealmeida?ref=hl.

sábado, 19 de outubro de 2013

CRIME PASSIONAL NÃO EXISTE! AMOR NÃO MATA, MACHISMO, SIM!

Faço questão de publicar aqui o excelente texto da Nádia Lapa, publicado em 16/10/13 em seu blog "Feminismo pra quê?", da Revista Carta Capital. Façam minhas todas as palavras dessa mulher guerreira...

"Crime passional": não é amor, é poder

Mulher Feminicídio

Costumam chamar de "crimes passionais" casos que teriam sido movidos por amor. Não são. Amor não mata; o que mata é a sensação de poder que o ex-parceiro tem sobre a vítima
Segundo dados da Organização Mundial de Saúde e do Mapa da Violência, o Brasil é o sétimo país com maior incidência de assassinatos de mulheres. São dez homicídios por dia. Ao abrir qualquer jornal, você verá notícias de algum caso "do dia". O de hoje é de Iolanda, uma jovem paulistana de 21 anos que foi atacada na academia na tarde de ontem pelo ex-namorado, com quem havia terminado o relacionamento na segunda-feira.
A imprensa costuma chamar casos como o de Iolanda de "crimes passionais", como se eles tivessem sido movidos por amor. Não são. Amor não mata; o que mata é a sensação de poder que o ex-parceiro tem sobre a vítima. O criminoso tem certeza que a vítima lhe pertence. "Se ela não for minha, não vai ser de mais ninguém." É a completa desumanização da mulher, transformando-a em um objeto sobre o qual alguém tem propriedade, pelo simples fato de algum dia eles - proprietário e objeto - terem sido um "casal".
Dizer que um homicídio tem caráter passional não serve de nada ao direito, posto que o tipo penal não reconhece a "paixão" como motivo para um assassinato. Pelo contrário: a pena pode ser aumentada se for reconhecido que o réu agiu com motivação torpe ou fútil, ou ainda sem dar possibilidade de defesa à vítima. Tramita hoje no Congresso o relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Violência contra a Mulher, que no seu relatório final tipifica o feminicídio, com pena de reclusão de 12 a 30 anos para assassinatos de mulheres com circunstâncias de violência doméstica ou familiar, violência sexual, mutilação ou desfiguração da vítima.
Porque os "assassinos passionais" não apenas matam suas vítimas. Eles fazem questão de torturá-las, como fez Thiago da Silva Flores, que ateou fogo ao corpo da ex-namorada Pâmela. Depois de um ano passando por diversas cirurgias e tratamentos, Pâmela faleceu em agosto.
O ódio presente nos crimes que dizem serem movidos por amor é evidente. Além do uso de artifícios cruéis, como no caso de Pâmela e na própria Maria da Penha, 6,2% dos assassinatos de mulheres são por estrangulamento/sufocação, enquanto 26% são por objeto cortante ou penetrante. Facadas.
Mas a quem interessa dizer que tal crime é passional, que o réu estava sofrendo com a rejeição, ou que ele não conseguia enxergar a própria vida com a ausência da mulher amada? Com esse discurso, coloca-se o feminicídio como sendo de ordem privada; "em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher". Assim, afasta-se a necessidade de uma discussão geral e mudança social acerca destes crimes. Parece que havia algo entre os dois que justificaria o assassinato, a tortura, a violência. Lavamos as mãos e fingimos que, se chegarmos muito perto, estaremos invadindo a privacidade daquele casal.
Um casal que não existe mais; primeiro porque a mulher quis sair, segundo porque ela foi morta por quem um dia confiou.
O perfil do Twitter Machismo Mata traz diariamente notícias sobre crimes contra a mulher. O relatório da CPMI também analisa de perto casos emblemáticos, como o do estupro coletivo e assassinato em Queimadas, na Paraíba. Na imprensa, poucos casos aparecem. Geralmente de mulheres brancas, jovens, de classe média, quando, segundo o IPEA, 61% das mulheres assassinadas são negras. A própria imprensa invisibiliza outros recortes sociais que são vistos no feminicídio.
Amor não mata. Machismo, sim.

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quinta-feira, 4 de julho de 2013

HPV E CÂNCER DE COLO DO ÚTERO: PRECISAMOS COMBATER ESSA DUPLA!

Gizele Almeida*
Este texto foge um pouquinho da tônica dos demais desse blog, mas mesmo assim optei por escrevê-lo porque considero de suma importância que cada vez mais e mais pessoas, principalmente mulheres, saibam da relação entre o vírus HPV e o câncer do colo do útero, que é um dos grandes responsáveis pela morte feminina no Brasil, uma vez que está comprovado que 99% das mulheres que desenvolveram esse tipo de câncer estavam infectadas com o vírus HPV. Estima-se que 685 mil pessoas sejam infectadas ao ano no país.

Para quem não sabe, o câncer de colo de útero é um marcador social, pois está intrinsecamente ligado à falta de informação, à falta de prevenção e a relações sexuais sem proteção, uma vez que a maioria dos casos desse câncer tem seu início pela contaminação do vírus HPV, muito disseminado através de relações sexuais sem preservativo.

Quando eu ainda estava na graduação em Psicologia, participei em 2008 de um projeto de pesquisa sobre esse tema na Faculdade de Medicina da UFMG e, nessa época, pude acompanhar vários casos de câncer invasor do colo do útero, nos principais hospitais de Belo Horizonte. E era de se espantar o número de senhorinhas, idosas, cujo parceiro sexual muitas vezes fora só o marido, infectadas com o vírus HPV, sendo que muitos desses casos tinham evoluído para câncer de colo do útero. Via nessas senhoras o mais perfeito exemplo do que a falta de informação e proteção pode gerar: dor e morte feminina.

Esse é, pois, o objetivo desse texto: informar às mulheres como se prevenir do HPV, como forma de minimizar a ocorrência de câncer do colo do útero. Então, vamos às informações, pois é mais fácil prevenir o HPV que curar o câncer, concordam?!

O câncer de colo do útero é uma doença muito grave que atinge a várias mulheres. É causado principalmente pelo HPV, uma família que possui mutação de cerca de 80 vírus diferentes e que são transmitidos via contato sexual, mesmo sem penetração.

Então, vamos conhecer um pouco mais esse “inimigo”! O HPV é um vírus facilmente transmitido pelo contato sexual, afetando a área genital de homens e mulheres. Alguns desses vírus são inofensivos e não dão nem sintomas, outros causam verrugas e, outros, ulcerações no colo do útero que mais tarde viram câncer, se não forem tratadas. Mas calma: há tratamento para essas lesões e é justamente por isso que toda mulher com vida sexual ativa deve consultar-se com um ginecologista a cada ano para realizar o exame preventivo (Papanicolau). Caso seja identificado o HPV, o tratamento deve ser iniciado imediatamente!

O HPV, que passa despercebido na maioria dos homens, nas mulheres também é silencioso em alguns casos, embora em outros não seja tão discreto, apresentando leve coceira na região genital, corrimento, bem como dor durante a relação sexual. No entanto, só com o exame de Papanicolau é possível diagnosticar o vírus.

As doenças causadas pelo HPV são tratadas com sucesso em cerca de 90% dos casos e nem toda mulher com HPV terá câncer de colo de útero. Mas o que precisa ficar claro é que prevenir e diagnosticar o HPV é o melhor caminho para se evitar esse tipo de câncer.

Recentemente foi descoberta a vacina para o HPV, que deve ser ministrada em meninas cuja vida sexual ainda não fora iniciada. Em meninos ainda não se avaliou o uso da vacina, que atualmente custa no Brasil cerca de R$300,00 cada dose, devendo ser ministrada em um total de três doses.

A boa notícia é que, a partir de 2014, essa importante descoberta fará parte do calendário brasileiro de vacinação, no qual meninas de 10 e 11 anos serão vacinadas gratuitamente na rede pública do SUS. Mas, é preciso deixar claro: a vacina protege só contra o HPV e, portanto,é indispensável o uso da camisinha para prevenir outros vírus (como a AIDS, por exemplo), ou mesmo uma gravidez indesejada.

Então, está dado o recado: é importantíssima a prevenção contra o HPV! Papais e mamães, fiquem atentos ao calendário de vacinação no ano que vem! Para saber mais sobre a prevenção, confiram a figura abaixo! Quem julgar pertinente, gentileza divulgar essas informações!

*Gizele Ameida (CRP MG 04|32902) é psicóloga psicanalista, graduada pela UFMG e pós graduanda pela UFOP. Atua desde 2007 no atendimento a crianças e adolescentes e, atualmente, é psicóloga educacional da Prefeitura Municipal de São Gonçalo do Rio Abaixo. Este e outros textos foram publicados no seu blog: gizelealmeida.blogspot.com.br.