Quem sou eu

Minha foto
Sao Goncalo Do Rio Abaixo, Minas Gerais
Psicóloga psicanalista, graduada pela Universidade Federal de Minas Gerais, e pós-graduanda em Políticas Públicas de Gênero e Raça-etnia, pela Universidade Federal de Ouro Preto. Atualmente, sou psicóloga clínica, em consultório particular, e psicóloga educacional da Secretaria Municipal de Educação, ambos em São Gonçalo do Rio Abaixo/MG. Contato: (31) 9232 1722 | gizelepsicologia@gmail.com. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/7412358239952349
AGORA TAMBÉM NO FACEBOOK

Oi, pessoal...
Agora tenho um espaço no facebook para postar links e textos mais voltados para os trabalhos que realizo na clínica...
Curtam lá!
Um abraço!
Gizele


https://www.facebook.com/consultoriodepsicologiagizelealmeida?ref=hl

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

EMPODERAMENTO E VISIBILIDADE

É interessante a frequência com que atendo a mulheres em situação de violência doméstica, muitas que nem sempre se dão conta de que estão nessa condição. Mesmo na clínica psicanalítica que, por essência de sua teoria, preza pelo singular e idiossincrático, não devemos nunca nos esquecer de que o inconsciente é tangenciado pela cultura e, nesse sentido, cabe (e muito!) uma discussão sobre esse ponto nodal que é a violência contra a mulher e como ela se engendra na formação do laço social.
Pois bem... hoje, mais uma vez, uma paciente traz a questão da violência contra a mulher e pudemos conversar um pouco sobre os dois mecanismos necessários para o enfrentamento a essa questão: empoderamento e visibilidade!
Conversamos sobre o que se trata cada uma dessas vertentes e, talvez, até produza em breve um texto sobre esses conceitos e coloque aqui, a depender da demanda, mas é preciso que mais e mais saibamos o que é violência doméstica e quais sãos as suas formas de apresentação/configuração/disfarce. E, por isso, e a partir desse desejo dessa paciente, combinei de oferecer a ela e a quem mais desejar alguns links de importantes espaços de pesquisa e luta pela não-violência contra mulher, pois o primeiro passo para combatê-la é o conhecimento.
Um abraço a todos e todas!!!
Eis aí os links!

http://www.pagu.unicamp.br/node/8
http://www.institutoavon.org.br/tag/violencia-domestica/
http://www.mariadapenha.org.br/
https://www.facebook.com/pages/Instituto-Maria-da-Penha-IMP/214848468536445
http://www.agenciapatriciagalvao.org.br/
http://levante.org.br/cartilha-sobre-violencia-contra-as-mulheres/cratilha-mulheres-levante/

domingo, 24 de novembro de 2013

VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA: O MAL INVISÍVEL


Às vésperas do dia 25 de novembro, data-marco que simboliza a luta pela não-violência contra a mulher, decidi escrever brevemente sobre esse tema que tão frequentemente é tocado pelas pacientes que atendo, não só quando trabalhava no CREAS, mas também atualmente na clínica.
A violência psicológica contra a mulher é, sem dúvida, a mais comum das violências de gênero e talvez a mais difícil de ser identificada, dado o velamento que há na nossa sociedade machista, o que impede que esses sorrateiros comentários ou atos sejam percebidos como agressões, embora “firam mais do que um tapa”, como certa vez me disse uma paciente.
São muito comuns as queixas do tipo: “ele me disse que estou gorda, que não quer mulher gorda dentro de casa”, ou “ele me disse que essa roupa é de vagabunda, que eu o estou envergonhando”, ou, mais grave ainda, “ele me chama de lixão, de barril”, dentre tantos outros exemplos reais que tão bem ilustrariam esse tipo de violência.
A Lei Maria da Penha (Lei nº. 11340/06), que criou mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, definiu os tipos de violência: física, patrimonial, sexual, moral e psicológica.
O conceito de violência psicológica é bem simples e foi definido no artigo 7º da Lei Maria da Penha como “qualquer conduta que cause à mulher dano emocional e diminuição da auto-estima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação”. Em síntese, é qualquer conduta que cause dano emocional e/ou diminuição da autoestima da mulher, tais como humilhações, privação de liberdade, impedimento ao trabalho e/ou estudo, impedimento do contato com amigos e/ou familiares, ameaças à vítima ou a pessoas queridas.
 No atendimento individual, em geral, busca-se localizar com a mulher as questões intrínsecas a este relacionamento no qual a violência psicológica se encontra presente, de forma que esta se indague quanto ao motivo que a faz participar dessa relação sintomática, colocando-se em risco com isso.
Mas, há uma importante questão que subjaz à questão clínica, e que não é menos importante que essa. Trata-se da condição machista com a qual a sociedade patriarcal na qual vivemos se impõe à mulher, de forma muitas vezes tão pungente que acaba por naturalizar um comportamento que não é natural, que não faz bem, como se fosse esta a sina da mulher: “mulher tem que obedecer ao marido”, “existe mulher pra casar e mulher pra usar”, “mulher que gosta de sexo é puta”, “arruma, menina, trata logo de emagrecer e cuidar do cabelo que homem não gosta de mulher desleixada”, e assim por diante.
Nesse sentido, a mulher tem esse discurso machista e patriarcal tão incutido em sua vida que ele parece correr nas veias como sangue, tal qual nos afirmou a filósofa feminista Judith Butler. Desse modo é preciso, antes de tudo, propor uma maleabilização desse discurso, de maneira a oferecer a essa mulher condições para que ela se perceba como vítima de violência psicológica no âmbito afetivo/doméstico, para que, só a partir de então, ela possa se empoderar e ousar sair dessa condição.
Essa é, pois, a proposta para um atendimento psicológico a mulheres nessa condição: explorar os mecanismos subjetivos (inconscientes) e objetivos (sociais/culturais) que tangenciam a violência psicológica, para que depois se proponha um escape a ela.
E para as mulheres que, ao lerem este texto, se consideraram vitimas de violência psicológica doméstica em alguma medida, a sugestão é que procurem ajuda especializada, pois é muito difícil sair dessa condição sozinha. Sugiro que procurem as unidades socioassistenciais específicas: CREAS (3833 5146) e a Delegacia Civil ou Delegacia da Mulher; para orientações e/ou denúncias sigilosas, indico o Disque Mulher (180); já um atendimento clínico individual também pode se mostrar uma ação bastante eficaz, pois também pode ser uma porta de entrada para as demais ações.
Para saber mais sobre o tema, sugiro os links abaixo:
Agência Patrícia Galvão: http://www.agenciapatriciagalvao.org.br/

*Gizele Ameida (CRP MG 04|32902) é psicóloga psicanalista, graduada pela UFMG e pós graduanda pela UFOP. Atua desde 2007 no atendimento a crianças, adolescentes, adultos e idosos e, atualmente, é psicóloga educacional da Prefeitura Municipal de São Gonçalo do Rio Abaixo e psicóloga clínica, em seu consultório particular. Este e outros textos foram publicados no seu blog: gizelealmeida.blogspot.com.br e no facebook: https://www.facebook.com/consultoriodepsicologiagizelealmeida?ref=hl.

sábado, 19 de outubro de 2013

CRIME PASSIONAL NÃO EXISTE! AMOR NÃO MATA, MACHISMO, SIM!

Faço questão de publicar aqui o excelente texto da Nádia Lapa, publicado em 16/10/13 em seu blog "Feminismo pra quê?", da Revista Carta Capital. Façam minhas todas as palavras dessa mulher guerreira...

"Crime passional": não é amor, é poder

Mulher Feminicídio

Costumam chamar de "crimes passionais" casos que teriam sido movidos por amor. Não são. Amor não mata; o que mata é a sensação de poder que o ex-parceiro tem sobre a vítima
Segundo dados da Organização Mundial de Saúde e do Mapa da Violência, o Brasil é o sétimo país com maior incidência de assassinatos de mulheres. São dez homicídios por dia. Ao abrir qualquer jornal, você verá notícias de algum caso "do dia". O de hoje é de Iolanda, uma jovem paulistana de 21 anos que foi atacada na academia na tarde de ontem pelo ex-namorado, com quem havia terminado o relacionamento na segunda-feira.
A imprensa costuma chamar casos como o de Iolanda de "crimes passionais", como se eles tivessem sido movidos por amor. Não são. Amor não mata; o que mata é a sensação de poder que o ex-parceiro tem sobre a vítima. O criminoso tem certeza que a vítima lhe pertence. "Se ela não for minha, não vai ser de mais ninguém." É a completa desumanização da mulher, transformando-a em um objeto sobre o qual alguém tem propriedade, pelo simples fato de algum dia eles - proprietário e objeto - terem sido um "casal".
Dizer que um homicídio tem caráter passional não serve de nada ao direito, posto que o tipo penal não reconhece a "paixão" como motivo para um assassinato. Pelo contrário: a pena pode ser aumentada se for reconhecido que o réu agiu com motivação torpe ou fútil, ou ainda sem dar possibilidade de defesa à vítima. Tramita hoje no Congresso o relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Violência contra a Mulher, que no seu relatório final tipifica o feminicídio, com pena de reclusão de 12 a 30 anos para assassinatos de mulheres com circunstâncias de violência doméstica ou familiar, violência sexual, mutilação ou desfiguração da vítima.
Porque os "assassinos passionais" não apenas matam suas vítimas. Eles fazem questão de torturá-las, como fez Thiago da Silva Flores, que ateou fogo ao corpo da ex-namorada Pâmela. Depois de um ano passando por diversas cirurgias e tratamentos, Pâmela faleceu em agosto.
O ódio presente nos crimes que dizem serem movidos por amor é evidente. Além do uso de artifícios cruéis, como no caso de Pâmela e na própria Maria da Penha, 6,2% dos assassinatos de mulheres são por estrangulamento/sufocação, enquanto 26% são por objeto cortante ou penetrante. Facadas.
Mas a quem interessa dizer que tal crime é passional, que o réu estava sofrendo com a rejeição, ou que ele não conseguia enxergar a própria vida com a ausência da mulher amada? Com esse discurso, coloca-se o feminicídio como sendo de ordem privada; "em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher". Assim, afasta-se a necessidade de uma discussão geral e mudança social acerca destes crimes. Parece que havia algo entre os dois que justificaria o assassinato, a tortura, a violência. Lavamos as mãos e fingimos que, se chegarmos muito perto, estaremos invadindo a privacidade daquele casal.
Um casal que não existe mais; primeiro porque a mulher quis sair, segundo porque ela foi morta por quem um dia confiou.
O perfil do Twitter Machismo Mata traz diariamente notícias sobre crimes contra a mulher. O relatório da CPMI também analisa de perto casos emblemáticos, como o do estupro coletivo e assassinato em Queimadas, na Paraíba. Na imprensa, poucos casos aparecem. Geralmente de mulheres brancas, jovens, de classe média, quando, segundo o IPEA, 61% das mulheres assassinadas são negras. A própria imprensa invisibiliza outros recortes sociais que são vistos no feminicídio.
Amor não mata. Machismo, sim.

AGORA TAMBÉM NO FACEBOOK...

Oi, pessoal...
Agora tenho um espaço no facebook para postar links e textos mais voltados para os trabalhos que realizo na clínica... Curtam lá! 

Um abraço! 
Gizele

https://www.facebook.com/consultoriodepsicologiagizelealmeida?ref=hl

quinta-feira, 4 de julho de 2013

HPV E CÂNCER DE COLO DO ÚTERO: PRECISAMOS COMBATER ESSA DUPLA!

Gizele Almeida*
Este texto foge um pouquinho da tônica dos demais desse blog, mas mesmo assim optei por escrevê-lo porque considero de suma importância que cada vez mais e mais pessoas, principalmente mulheres, saibam da relação entre o vírus HPV e o câncer do colo do útero, que é um dos grandes responsáveis pela morte feminina no Brasil, uma vez que está comprovado que 99% das mulheres que desenvolveram esse tipo de câncer estavam infectadas com o vírus HPV. Estima-se que 685 mil pessoas sejam infectadas ao ano no país.

Para quem não sabe, o câncer de colo de útero é um marcador social, pois está intrinsecamente ligado à falta de informação, à falta de prevenção e a relações sexuais sem proteção, uma vez que a maioria dos casos desse câncer tem seu início pela contaminação do vírus HPV, muito disseminado através de relações sexuais sem preservativo.

Quando eu ainda estava na graduação em Psicologia, participei em 2008 de um projeto de pesquisa sobre esse tema na Faculdade de Medicina da UFMG e, nessa época, pude acompanhar vários casos de câncer invasor do colo do útero, nos principais hospitais de Belo Horizonte. E era de se espantar o número de senhorinhas, idosas, cujo parceiro sexual muitas vezes fora só o marido, infectadas com o vírus HPV, sendo que muitos desses casos tinham evoluído para câncer de colo do útero. Via nessas senhoras o mais perfeito exemplo do que a falta de informação e proteção pode gerar: dor e morte feminina.

Esse é, pois, o objetivo desse texto: informar às mulheres como se prevenir do HPV, como forma de minimizar a ocorrência de câncer do colo do útero. Então, vamos às informações, pois é mais fácil prevenir o HPV que curar o câncer, concordam?!

O câncer de colo do útero é uma doença muito grave que atinge a várias mulheres. É causado principalmente pelo HPV, uma família que possui mutação de cerca de 80 vírus diferentes e que são transmitidos via contato sexual, mesmo sem penetração.

Então, vamos conhecer um pouco mais esse “inimigo”! O HPV é um vírus facilmente transmitido pelo contato sexual, afetando a área genital de homens e mulheres. Alguns desses vírus são inofensivos e não dão nem sintomas, outros causam verrugas e, outros, ulcerações no colo do útero que mais tarde viram câncer, se não forem tratadas. Mas calma: há tratamento para essas lesões e é justamente por isso que toda mulher com vida sexual ativa deve consultar-se com um ginecologista a cada ano para realizar o exame preventivo (Papanicolau). Caso seja identificado o HPV, o tratamento deve ser iniciado imediatamente!

O HPV, que passa despercebido na maioria dos homens, nas mulheres também é silencioso em alguns casos, embora em outros não seja tão discreto, apresentando leve coceira na região genital, corrimento, bem como dor durante a relação sexual. No entanto, só com o exame de Papanicolau é possível diagnosticar o vírus.

As doenças causadas pelo HPV são tratadas com sucesso em cerca de 90% dos casos e nem toda mulher com HPV terá câncer de colo de útero. Mas o que precisa ficar claro é que prevenir e diagnosticar o HPV é o melhor caminho para se evitar esse tipo de câncer.

Recentemente foi descoberta a vacina para o HPV, que deve ser ministrada em meninas cuja vida sexual ainda não fora iniciada. Em meninos ainda não se avaliou o uso da vacina, que atualmente custa no Brasil cerca de R$300,00 cada dose, devendo ser ministrada em um total de três doses.

A boa notícia é que, a partir de 2014, essa importante descoberta fará parte do calendário brasileiro de vacinação, no qual meninas de 10 e 11 anos serão vacinadas gratuitamente na rede pública do SUS. Mas, é preciso deixar claro: a vacina protege só contra o HPV e, portanto,é indispensável o uso da camisinha para prevenir outros vírus (como a AIDS, por exemplo), ou mesmo uma gravidez indesejada.

Então, está dado o recado: é importantíssima a prevenção contra o HPV! Papais e mamães, fiquem atentos ao calendário de vacinação no ano que vem! Para saber mais sobre a prevenção, confiram a figura abaixo! Quem julgar pertinente, gentileza divulgar essas informações!

*Gizele Ameida (CRP MG 04|32902) é psicóloga psicanalista, graduada pela UFMG e pós graduanda pela UFOP. Atua desde 2007 no atendimento a crianças e adolescentes e, atualmente, é psicóloga educacional da Prefeitura Municipal de São Gonçalo do Rio Abaixo. Este e outros textos foram publicados no seu blog: gizelealmeida.blogspot.com.br.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

A IMPORTÂNCIA DA FUNÇÃO PATERNA: AS RELAÇÕES ENTRE PAIS E FILHOS NA ATUALIDADE


Este texto é uma síntese da palestra de mesmo título, proferida em junho de 2013 aos pais de algumas escolas municipais de São Gonçalo do Rio Abaixo/MG. Dessa forma, não se pretende aqui construir um material técnico, muito embora esteja todo ele embasado em consistente referencial teórico, mas tem-se como objetivo maior oferecer a esses pais, em material impresso, um breve panorama do que fora tratado na palestra.
Pois bem, iniciaremos com a expressão que deu origem ao título: “Função Paterna”. Muito se questionou entre os convidados se função paterna era algo exclusivo do pai, e essa foi a primeira definição: função paterna não é função só de pai! Na verdade, a função paterna é a lei, a castração, o interdito. A função paterna é algo (trabalho, estudo) ou alguém (pai, avô/ó, tia, namorado/a) que vai separar a forte liga mãe-criança. É o meio pelo qual se mostra à criança que ela não é o centro do universo. A função paterna não obedece, necessariamente, a uma ordem cronológica, mas sim uma ordem lógica, dada pelo do Complexo de Édipo, abordado por Freud e, posteriormente, por Lacan.
Reside aí outra dúvida: O que vem a ser Complexo de Édipo? O nome é estranho, mas a explicação é simples! A ideia central do Complexo de Édipo diz respeito à ilusão que a criança tem de que possui o amor e proteção total da mãe, até que um dia ela se vê obrigada a perceber que ela e a mãe não são um ser único, que é necessária a separação dessa liga mãe-bebê e que é importante e saudável a sua imersão na cultura. Aí se dá o desfecho saudável do Édipo, embora esse percurso não seja tão simples para a criança e venha acompanhado de dor e hostilidade.
Atualmente, temos percebido em vários casos que as relações entre pais e filhos têm sido pautadas basicamente em uma condição em que o filho não é colocado nesse campo de ter que aceitar essa falta da mãe, esse limite, essa castração, mas, ao contrário, é tratado como objeto de “gozo”, que deve ser entendido aqui como uma relação em que o filho é considerado como objeto, no qual se realiza todos os desejos, tanto dele enquanto filho quanto os nossos, de pais. Nessa lógica, os filhos têm o mundo: consumismo exacerbado, acesso amplo e irrestrito a tudo, de TV aos jogos de vídeo game, internet e celulares. Os desejos dos filhos passam a vir em primeiro lugar e as relações se tornam extremamente permissivas, de modo que os pais sentem dificuldade em dizer o precioso “não” a eles.
Diante desse quadro, surge a questão: Como se instaurar a função paterna? É inegável a necessidade de que essa castração se instaure. A criança precisa ser submetida à lei e à castração. Esse é o preço para se livrar da loucura! Os pais devem o limite ao filho. O “NÃO” é o maior presente que os pais podem dar a eles. Mas é preciso deixar claro que esse “não” deve ser firme, mas nunca agressivo. Autoridade é completamente diferente de autoritarismo!
Muitas vezes, os pais trazem como justificativa para essa não-castração: “Eu bem que gostaria de corrigir o meu filho, mas o ECA não deixa! Antigamente era diferente!”. De fato, antigamente era diferente, os filhos eram corrigidos a todo custo e, por isso, que foi necessária a instituição, em 1990, do ECA, Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº  8069/90), que visa garantir os direitos das crianças e adolescentes. 
Mas, então, o ECA proíbe a castração? NÃO!!! Quem já pôde ler o ECA na íntegra, percebeu que ele não proíbe aos pais a educação do filho, muito ao contrário! No artigo 19, o ECA versa que “toda criança tem direito a ser criada e educada no seio da sua família”. No artigo 22 diz que “aos pais incube o dever de sustento, guarda e educação dos filhos menores” e no artigo 33 fala que “a guarda obriga a prestação de assistência moral, educacional e material à criança”. Ou seja, o ECA enfatiza que a educação primária da criança deve ocorrer no seio da família e cabe aos pais oferecê-la de forma adequada.
A única exigência que o ECA faz é de que a criança seja tratada como um ser humano, ou seja, digna de todos os seus direitos e, nesse sentido, o artigo 5º vem dizer que “nenhuma criança ou adolescente pode, seja por ação ou omissão, ser objeto de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”.
Diante de tudo isso, outra questão se instaura: Como oferecer esse limite aos filhos? É necessária aos pais e cuidadores uma dedicação a esse processo de educação dessas crianças e adolescentes, e bem sabemos que o mundo moderno nos deixa cada vez mais assoberbados, seja pela extensa jornada de trabalho ou pelas adversidades do dia a dia, que vão desde a dificuldade em se prover alimentação, educação e saúde de qualidade aos filhos até as dificuldades em voltar para casa, dada a longa distância até o trabalho ou mesmo a precariedade dos transportes. Mas, enfim, não podemos nos esmorecer!
Um olhar atento dos pais faz toda a diferença nesse processo de educação! É necessário que estes mantenham uma observação crítica e atenta a tudo o que os filhos estão fazendo ou deixando de fazer, bem como oferecer um confronto respeitoso diante daquilo que não é interessante que os filhos façam, principalmente os excessos, tão comuns na TV ou internet.
É preciso ficar bem delimitada a fronteira entre o “pode” e o “não pode” e, mais do que isso, é necessário que se deixe claro que o pai é adulto e o filho criança e, por isso, o pai deve conduzir o percurso do filho e não o contrário.
É necessário chamar os filhos às regras e se posicionar no sentido de solicitar que estas sejam de fato cumpridas. O “não” dado não deve vir com tom de “talvez”, sob pena de que essa criança/adolescente nunca oferecerá credibilidade a um pai que não consegue sustentar a sua própria palavra.
Atualmente, os pais encontram muitos “rivais” na educação dos filhos: cultura televisiva, consumismo, drogas, internet, celular, músicas, propagandas, dentre outros. Por isso mesmo é que sua tarefa de educar se torna cada vez mais importante.
Fica aí o recado final: ser pai é saber suportar o horror que é a ideia de “perder” os filhos e prepará-los para esse mundo tirano que os espera. Do outro lado, ser filho é poder acreditar nos pais e depositar neles a sua fé. É esse o apelo que os filhos têm feito aos pais na atualidade!
Por fim, a todos os pais, mães e cuidadores comprometidos com a educação de seus filhos, gostaria de parabenizá-los e desejar-lhes CORAGEM e BOA SORTE!
 
*Gizele Ameida (CRP MG 04|32902) é psicóloga psicanalista, graduada pela UFMG e pós graduanda pela UFOP. Atua desde 2007 no atendimento a crianças e adolescentes e, atualmente, é psicóloga educacional da Prefeitura Municipal de São Gonçalo do Rio Abaixo. Este e outros textos foram publicados no seu blog: gizelealmeida.blogspot.com.br.